Adeus “Boechato”

“Ih já são 7h30, tá na hora do Boechato!”. Era minha frase de todas as manhãs. Como eu gostava de ouvir esse chatinho

Eu te chamava assim “Boechato”, de forma muito carinhosa. Mesmo com todo esse carinho, eu te achava mesmo beeeem chato, mas já estava acostumada. Afinal, era você no meu ouvido todas as manhãs informando e se tornando um amigo íntimo e querido. Foram mais de dez anos de relacionamento.

Seu humor variava. Na maior parte das vezes, era todo divertidão e de bem com a vida. Em alguns momentos, aparecia com um mal humor danado. Já te peguei dando “piti” quando não conseguia estabelecer uma ligação telefônica “o homem já foi até a lua e a gente não consegue fazer uma ligação!”, você reclamava. Escutava você dando bronca nos jornalistas no ar, exigindo a informação completa.

Estávamos tão próximos, mas você não me conhecia… Então eu me apresento.

Sou militante do Partido da Genitália Nacional. Sigo firme e aqui me solidarizo com Macaco Simão, nosso presidente. Acreditei sempre que vocês fariam um trabalho fantástico de promover sorrisos… nem precisou vencer um pleito, já conseguiam isso todos os dias.

Sempre concordei mais com a Mônica Bergamo do que com você, “nossa colunista de todas as manhãs e a mais bem informada do mundo”, você dizia e com isso eu concordava. O relógio não perdoava, estavam sempre atrasados. Por mais que o tempo da Mônica fosse razoável na rádio, eu sofria quando acabava e sempre queria mais. Da mesma forma, sentia uma angústia enorme quando o relógio alcançava a conversa entre você e Luiz Megali, que falava de Nova Iorque e Rodrigo Orengo, de Brasília.

Aprendi rápido a canção “Al trabajo macacada, bandidos e ordinários tiene que trabajarrrrrr, para pagar el cartón ton ton”. Inclusive já reclamei muito, por que pararam de cantar? Era tão divertido!

Uma vez, tentei emplacar um predestinado. Sem sucesso.

Já vi o departamento de imprensa de um antigo local de trabalho se descabelar por conta de seus comentários verdadeiros e necessários. Você era assim mesmo: destemido e falava o que pensava sem se preocupar com reclamações ou até mesmo com os processos que viriam, aliás foram muitos. Entre eles, alguns “troféus”, não é mesmo?

Ah meu amigo, carequinha querido… quantas saudades!

Na manhã de hoje acordei desejando que essa tragédia toda tivesse sido apenas um sonho e que as 7h30 eu poderia escutar a vinheta do seu programa e suas calorosas saudações a todas as praças da rede Band News. Sabe de uma coisa, quando chegava a vez de Brasília eu me sentia pessoalmente cumprimentada.

Escrevo essa parte do texto chorando e sigo chorando um pouco aqui e acolá para colocar esse misto de tristeza e saudade para fora. Te escrevo como uma forma carinhosa de reconhecer sua importância e influência não só na minha, mas na vida de tantos ouvintes que, assim como eu, você não conhecia, mas acabou sendo um amigo íntimo. Fez falta na manhã de hoje e fará falta nas próximas.

Caso haja alguma existência depois dessa, te desejo a melhor.

Toca o barco!

Com amor,

Karla Nayra, sua ouvinte de todas as manhãs.

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