Mestrado: a semente germinou

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Karla Nayra*

Sempre foi um sonho para mim fazer uma pesquisa de mestrado. Para algumas pessoas pode até ser o caminho natural da vida acadêmica, mas para mim foi mais que um caminho óbvio. Foi um sonho.

Quando criança, lembro-me de observar meu pai, professor, debruçado sobre seus livros durante várias madrugadas. Sua dedicação e concentração eram imbatíveis. Ele trabalhava como policial durante o dia e dava aulas para o ensino médio em uma escola pública do subúrbio aqui de Brasília à noite. Dois empregos, cinco filhos e uma gana admirável de vencer na vida. Meu exemplo (não chora, pai).

Sempre muito inteligente, meu velho gostava dos números, da exatidão das contas matemáticas. Uma cena clássica guardo na memória: ele tinha uma estante de metal, pintada com tinta cinza que ficava no quartinho dos fundos da nossa casa. Aquela estante abrigava seus livros, seus tesouros.

Lembro-me que nela havia um livro grosso cuja lateral denunciava o amor do meu pais pelos número, estava escrito “MATEMÁTICA 1”. Ao olhar para aquele livro que tanto se destacava dentre vários outros, eu sentia uma espécie de pavor dos números. Mas tinha uma beleza naquele sentimento que eu não sabia muito bem o que era: um medo melancólico, reflexivo, curioso…

O tempo passou. Eu cresci. Fiz jornalismo na graduação, de algum modo fui enfeitiçada pelo poder das palavras. A “MATEMÁTICA 1″ ficou apenas em minha memória pavorosa e bonita… e melancólica… e nostálgica…

Graduei-me e quis seguir adiante no caminho acadêmico. Insisti no sonho de cursar um mestrado. Não deu. Não naquela época. Tive que trabalhar na área, adquirir experiência, sabe como é…

Dez anos depois de formada, finalmente ingressei para o mestrado. Uma aventura linda que tem exigido muito de mim: pessoalmente, fisicamente, intelectualmente. Estou cansada. Mas muito feliz.

Depois de muitos anos, meu pai, sou eu quem entro nas madrugadas debruçada sobre os livros. Em minha estante branca, o livro mais grosso denuncia minha afeição pelas ciências humanas. Lá está ele em destaque “HISTÓRIA DO BRASIL“.

Obrigada por esse exemplo lindo, meu pai.

Te amo.

Tem vídeo no canal sobre como ingressar no mestrado, assista:

Um comentário sobre “Mestrado: a semente germinou

  1. Amei a descrição. O meu pai também é um exemplo para mim. Sou de Brasília, professora de História. Esse livro do Boris é bacana mesmo, haha. Parabéns pelo trabalho, bj.

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