Eu tenho um sonho

Nele, os opostos serão capazes de dialogar e discordar sem brigar

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Longe de mim querer ser comparada a Martin Luther King Jr., mas seu discurso proferido em Washington-DC, em 1963 como um apelo em prol dos direitos civis para o negro americano ecoa até hoje. E inspira líderes do mundo todo e pessoas comuns, como eu.

Foi na quinta-feira quando toda essa inquietação se acentuou. Em uma aula debatíamos sobre o que esperar do futuro do Brasil. Falávamos em nos solidarizar com aqueles que temem o resultado das eleições, que serão definidas na próxima semana. Falávamos também em como convencer os outros de nossas ideias. Aí que tá. Será mesmo que precisamos convencer os outros daquilo que acreditamos ser o melhor?

Acho que tentar convencer o outro nunca foi um boa estratégia de diálogo. Se tento convencer o outro estou assumindo que a visão do outro está equivocada e que, portanto, a minha é a mais correta e por isso o outro precisa ser convencido. Será mesmo que nossa visão é a correta? Acreditamos que sim, se não essa não seria nossa visão, mas outra.

É difícil duvidarmos de nossas certezas, de nossas verdades. Somos arrogantes por natureza. Mas proponho um exercício que eu mesma tenho feito. O exercício de ouvir. Acho que escutar o outro é uma boa estratégia de diálogo. Todos nós queremos falar, mas não gostamos de ouvir. Então te convido a ser um ouvinte e ouça (leia, rs…) essas ideias.

Em meus sonhos…

 Escutaremos mais uns aos outros, e assim compreenderemos as angústias e as dores do outro.

Crianças de diferentes classes sociais estudarão na mesma escola e compartilharão as mesmas oportunidades .

As diferenças entre a direita e a esquerda serão apenas no campo das ideias e, jamais no campo físico, sem agressões.

Ainda que não concordemos uns com os outros, nos respeitaremos porque sermos capazes de praticar o respeito.

Nossa luta será pelo planeta terra, nossa preocupação será em deixar o mundo habitável para as próximas gerações.

Não precisaremos falar sobre racismo, pois ele já não existirá.

Não precisaremos falar sobre homofobia, pois ela já não existirá.

Não precisaremos falar sobre desigualdade de gênero, pois ela também não existirá.

Em meus sonhos seremos capazes de praticar o amor genuíno e, ao invés de falar em liberar armas para os civis, estaremos ocupados em promovendo educação igualitária para todos e todas.

Parece utopia, eu sei…

Mas ninguém disse que sonhar é proibido. Então eu sonho. Eu luto todos os dias para agir de forma coerente com os meus sonhos, mas às vezes eu falho, confesso…

Mas, com fé e atitude, quem sabe eles não se tornam reais?

Acho que não estou só.

Se você acredita nessas ideias coloque aí nos comentários.

Caso discorde, deixe sua opinião. Vamos debater!

2 comentários sobre “Eu tenho um sonho

  1. Presente na mencionada discussão de quinta (18/10) e sortuda por algumas conversas relacionadas ao tema com a lindeza da Karla Nayra, me proponho a comentar brevemente. Ressalto a brevidade não pela extensão do texto, mas pelo destaque concedido a apenas um dos aspectos de uma discussão tão vasta, que não encerra pelo que aqui enfatizo. Me refiro à questão do lugar de fala. Não de uma perspectiva excludente nos moldes das visões que afirmam que só os pertencentes a situações social, política, cultural e econômica específicas podem falar sobre os lugares que ocupam. Pelo contrário, as reflexões sobre o lugar de fala são dever e direito de todos, o diálogo é necessário, contanto que discursos autoritários sejam deixados de lado. Karla bem preconizou a necessidade de se saber ouvir. Creio que parte deste saber inclui admitir erros e desconhecimentos de situações vividas por outros. Tendendo para o lado não utópico de pensar sobre os diálogos entre opiniões diferentes, compreendo a postura defensiva de algumas pessoas (e lamento pelas ofensivas opressoras). Acabo entendendo um pouco mais os agentes do lado oprimido, não do lado opressor- estes são dois polos presentes em grande parte das discussões que se tornam acaloradas no sentido negativo. Acho que essa diferença justifica que os debates tornem-se pesados. Bem dizem que ideias se tornam hábitos e o hábito tem um aspecto físico. Ideias não atingem apenas ideias. Tomando por exemplo o momento eleitoral atual. A questão política tem impactos diretos nas outras esferas da vida social (cultura, economia,etc). Se uma pessoa apoia um candidato que concede legitimidade a discursos excludentes e odiosos, falta-lhe reflexão em algum nível, mesmo que tal ausência não seja proposital (como não é em muitos dos casos!). Clarificando melhor: um líder carismático (Sobre o conceito de líder carismático consultar definição de Max Weber), que exerce influência sobre milhares de pessoas, aparecer na grande mídia afirmando que homossexualidade é doença, é algo gravíssimo. A doença é algo anormal, que ocorre contra nossa vontade e precisa ser curado. Toda forma de cura de uma doença envolve uma ou mais intervenções sobre o corpo. O problema torna-se estarrecedor quando pseudos-curandeiros decidem que o remédio é a violência física e um dos “chefes da sessão de cirurgia” compactue com os métodos horrendos. Repito: ideias não atingem só ideias, mas atingem corpos. Imagine o que mais te faz feliz na vida e permite que você seja você, que consiga identificar seu lugar nesse mundão. Agora, imagine alguém chamando esta parte de você de “doença” e ameaçando-lhe, por vezes inclusive propondo tirar-lhe a tal parte- que concretamente não faz mal a ninguém, não fere a integridade física, não obriga o outro a nada,- na base da agressão moral ou física. Me parece no mínimo absurdo que um candidato a representante de todo um país, influenciador principalmente do capital simbólico (ver “Sobre o Estado” e “O poder simbólico”, de Bourdieu) de uma pátria, sequer tome cuidado com o que diz (já acho bem problemático uma pessoa assim atingir status de candidato bem votado, mas não vou mergulhar nesta discussão). Quando uma das partes de uma relação tem de se defender mesmo sem estar fazendo nada contra o outro, a ação dialogal pacífica perde as condições de existência. Mais do que o sentimento de vacância de poder (e aqui recomendo a leitura de “O poder em cena”, de G. Balandier), creio que o fenômeno que está correndo ultrapassa as insatisfações com o partido que ocupa o poder estatal há anos. As raízes e efeitos da situação não são explicados apenas pelas questões de disposição de cargos políticos ou administrações ruins. Do que foi dito, conclui-se que minha perspectiva não é tão otimista quanto a de Karla Nayra, mas também não discorda dela em absoluto. Creio que parte das utopias que a jornalista historiadora citou, como a própria importância de saber ouvir, exige um exercício constante de pensar no lugar do outro: entender que não devemos relativizar a dor alheia, nem reduzir os problemas ou condições do próximo, ao que sabemos do mundo pelas nossas próprias experiências. Não se trata de ignorar nossos próprios sofrimentos e posicionamentos, mas de ponderar que eles não são os únicos ou mais corretos numa esfera que ultrapassa nossa própria zona de conforto. Privilégios e preconceitos (pela cor da pele, pelo gênero, pelo status econômico, pelo jeito do cabelo, por um corpo tatuado, etc) ainda tornam a convivência social deveras vertical. Acredito que devemos sim buscar as coisas bonitas e é um ato esperançoso e necessário o de sonhar com o mundo como um local mais igual e melhor. As utopias têm, no mínimo, a vantagem de serem ferramentas analíticas de denúncias sobre o que está errado. Esta identificação é o pontapé inicial para a busca de saídas e melhorias.

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